quarta-feira, 3 de junho de 2009

VOLTA AO MERCADO – VERSÃO MASCULINA

Por: André Caixeta Colen

Caro amigo leitor, você está naquele perrengue fenomenal, acabou seu relacionamento de seis, quatro, três anos, ou acabou um longo e dolorido casamento. Sejamos francos: Você está enferrujado!!! Você é coisa posta fora do comércio!!! Você é o verdadeiro tiozão das conquistas!!! A última vez em que você “ficou” com alguém na noite foi ao som da “pa-pa-pa-pa-pel”; “loosing my religion”, ou pior, ouvindo alguma música daquele bando de emos do AHA. E mais, o termo “ficar” sequer existia. Você é da época que oferecer Halls para a menina era sinônimo de “tô te querendo!!! E aí!? Rola!?”. Enfim amigão!!! Você é o verdadeiro dinossauro, o elo perdido do flerte moderno.

Contudo caro leitor, você é guerreiro, experiente, maduro e não se intimida pelo mundo da conquista, afinal, na sua áurea época você era pegador, garanhão, você era “o cara”. Mas amigo, hoje o homem pegador é o famoso galinha, garanhão é um cavalo reprodutor — e o pior — “fizeram” o cara e ele gostou tanto que se tornou traveco, fazendo ponto lá no alto da Afonso Pena (não me perguntem como sei. Eu só sei que é assim!!! Disseram-me!!!).

Após aquele período de hibernação referente ao término do relacionamento, algo em torno de três a quatro dias, você resolve sair e aí você esbarra com o primeiro problema dos dinossauros. Todos seus amiguinhos dinossauros ou estão casados, ou estão juntados, ou namorando sério, ou pior, morrerão (não atoa, você é uma espécie em extinção).

Apavorado você procura aquela velha caixa poeirenta, colocada atrás dos discos de vinil, lá no quartinho de despensa. Após se sujar todo com a poeira que se juntava nos vinis, bem como passar por três seções ininterruptas de espirro você consegue alcançar a bendita caixa.

Então todo fogoso e serelepe encaminha-se em passos triunfantes até a sua cama e como uma pessoa que acaba de descobrir uma arca repleta de tesouros você abre a caixa e lá esta ela: A AGENDA PRETA ESBEIÇADA.

Para os mais novos, que se encontram devidamente acostumados com a introdução de dados em sistemas hi-tech a agenda preta pode parece algo tormentoso. Esclareçamos então: antes do advento do palm top, celular, telefone sem fio, internet sem fio, namoros pelo msn, havia algo tão primordial para o ser paquerador quanto o próprio alimento que ingeria: A AGENDA PRETA. A agenda vinha em variadas formas, tamanhos e cores. Algumas até de forma pré-hi-teck eram sanfonadas para caber no bolso. Lá, você anotava o telefone de companheiros de golo, da moçoilas fogosas, das meninas de família e das pilantrinhas (piriguetes atuais).

Neste momento você começa a folhear a agenda procurando o nome de um amigo guerreiro, daqueles que nunca dispensavam uma boa noite de cerveja, conversa fiada e mulherada safada. Após breve procura você acha o nome do Pedrão. Ahhhh o Pedrão!!! Pedrão era o amigo das massas e se você era “o cara”, em seus tempo áureos, ele era “o tal”!

Daí você anota o telefone fixo que havia na agenda em seu celular — afinal você também se modernizou — e liga para o Pedrão. Contudo, você se esqueceu que este era o telefone da época de solteiro e quem o atende, às nove e meia da noite, com voz embargada de sono, é Dona Clotilde, mãe de Pedrão. Então meio sem graça você se identifica e Dona Clô (como você a chamava só para sacanear com Pedrão) o reconhece e desanda a falar de suas doenças, dos problemas de família, do safado que casou com Martinha (a irmã gostosa do Pedrão que você era doido para comer). Após torturantes quarenta minutos de ladainha ela passa o telefone do Pedrão sem tecer maiores comentários sobre o mesmo.

Neste momento você pensa, agora sim, vamos tentar começar a noite. Você liga para telefone e já são quase dez e quinze da noite. Atende a voz de uma mulher enraivecida dizendo aos brados estridentes: “Carlinhooooosss!!! Volta aqui com este OB, menino! Luííííza!!!! Tira este grampo da tomada senão você vai tomar um choque, praga!!! Alou!!! Alou!!! Com quem deseja falar!?”

Meio confuso e atordoado você diz que quer falar com Pedrão. E ela já em tom inquisidor pergunta: “Quem está falando!?”. Gentilmente você dá seu nome e ela chama o Pedrão. Ao passar o telefone você escuta a mulher falando com seu grande, velho e guerreiro amigo: “Você nem pense em sair daqui hoje. Senão serão três semanas de seca! Sem falar que vou contar tudo para mamãe (leia-se sogra miserável e sanguinolenta) e você sabe que ela consegue ser pior do que eu!”

Neste ponto você já desistiu do Pedrão e só troca meia dúzia de palavras, afinal, ele é um moribundo dinossauro dominado pela fêmea beta. Após esta luta inglória só lhe resta encarar a noite só. Daí, você vai tomar aquele banho, faz a barba, se arruma todo e resolve savassiar (verbo indicativo de vadiagem, safadeza e congêneres) e escolhe ir à “Pedra do Tatu”. Caro amigo, “Pedra do Tatu” é algo deixou de existir mais ou menos na época em que você deixou de existir para o mundo da vadiagem. Você chega à Savassi e descobre que a “verdade não é mais como era antigamente”. Os bares, botecos, tudo já não está mais ali.

Trafegando meio como uma barata tonta você vê uma entrada conhecida, um lugar amigo, sem pestanejar para o carro e entra na casa noturna, e pensa: “Putz!!! Ao menos a Lapoge ainda existe!!!”. Ainda entusiasmado pede uma cerveja gelada, uma tequila, mais uma cerveja e para finalizar um wisky, isto tudo, em menos de quarenta minutos. O mais engraçado é que somente ao pedir o wisky é que você percebe que a Lapoge agora se chamava Josefine. Você começa a perceber que a moças são, ou estão, um pouco diferente em suas atitudes, se esfregando uma nas outras com maior vigor do que normalmente faria. E o pior, os homens começam a olhar para você de cima embaixo com aquele olhar de rapina que você costumava lançar para as meninas na mesma antiga e boa Lapoge.

Em dado momento você sente alguém passando a mão na sua bunda e ao se virar vê um sujeitinho esquisito com cabelo bagunçado, como se tivesse acabado de acordar, segurando sua bunda, piscando o olho e dando beijinho. Pôôô meu irmão!!!! Você é menino-homem, cabra macho, não fica nesta de camuflagem e sem pensar duas vezes enche a cara do sujeito de porrada. Xiiiiii meu caro!!! Nestes instante você começa a apanhar alucinadamente e de forma generalizada leva pescoção de mulher, “homem” e dos seguranças da boate até ser jogado como um saco de lixo fedorento no meio da rua. É então que percebe que estava numa boate para emos e homos. Sua noite foi pro beleleu.

O que resta então!? Voltar para casa. Percebe então que na pancadaria você perdeu sua carteira com os documentos do carro e habilitação e sabe que não há a menor possibilidade de retornar ao estabelecimento para pegá-la, senão apanhará de forma mais avassaladora do que antes. Então, ciente que estava perto de casa resolve pegar o carro assim mesmo.

Caro leitor, antes você tivesse ido de taxi, pedido para que o motorista aguardasse enquanto você subia até sua casa, pegava o dinheiro e o pagava, pois no meio do trajeto quem manda você parar à margem da rua!? Hein!? Isso mesmo, a Polícia Militar em mais uma operação direção sem álcool. Como cidadão exemplar e solícito você encosta o carro o soldado vendo sua camisa rasgada pelas porradas que tomou na boate já arranca o berro (arma de fogo altamente mortífera) coloca na sua cabeça e diz aos brados: “Deeeeesce vagabundo!!! Anda filho da piiiii (respeitemos as crianças que podem estar lendo)!!! Ladrãozinho safado!!! Deeeesce que eu tô mandando!!!”

Você ainda meio tonto pelas porradas que levou na boate, aliado às biritas que havia tomado, sai do carro trocando as pernas. Mal acaba de descer do veículo e já leva um “pedala robinho” do PM, caindo de boca no chão. Assustado, sem dinheiro, sem documento e ligeiramente alcoolizado você diz: “Calma dotô!!! O carro é me...!!!”. Antes mesmo de acabar de falar, você já levou um chute de coturno no suan (rins, para quem não sabe) que o deixou além de mais tonto, totalmente sem palavras. Você molha as calças de urina e desmaia.

Duas horas depois, você acorda no corredor do Departamento de Investigações, algemado, com a calça fedendo a urina, com a camisa toda rasgada, suja e com um filho da piiiiii te fotografando para colocar na capa do super que trará a seguinte manchete: “AGRESSOR DE HOMOSSEXUAIS É PREZO APÓS CONDUZIR VEÍCULO ROUBADO ESTANDO TOTALMENTE EMBRIAGADO!”

Depois dizem que ser solteiro é fácil!!!! Fala sério!!!!!

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