sexta-feira, 2 de abril de 2010

NADA COMO RÉVEILLON


Por André Caixeta Colen

Pois bem!!! Chegou o final do ano. Como passou depressa, não é mesmo!? Começamos a avaliar as cagadas realizadas, as besteiras que deveríamos ter deixado de dizer, comemoramos nossas conquistas, mas sobretudo, fim de ano significa uma coisa: FESTA, BEBIDA e, para alguns afortunados, MULHERES.

Contudo, você é um daqueles que sempre deixam para última hora resolver o que irá fazer. Provavelmente porque você não tem muita grana para, digamos, PLANEJAR. Então o que você faz!? EXATAMENTE!!! Você espera que algo, milagrosamente, caia do céu, abençoando-o com uma festa de final de ano de abalar as estruturas sociais de qualquer cidade.

Acorda amigo!!! Isso só acontece em filmes. Digo, FILMES AMERICANOS, porque se for brasileiro o enredo de sua festa vai ser mais ou menos como este texto.

Pois bem!!! Você foi mané e duro o suficiente para esperar por “aquela” festa, mas a festa não aconteceu, o dinheiro não acontece e a única coisa que aconteceu nisso tudo é você permanecer um MANÉ!!!

O que lhe resta então!? Simples, meu caro Mané. O que lhe resta é a festa do povão. Para aqueles que não estão familiarizados com a denominação “festa do povão” eu explico. A “festa do povão” é um aglomeração de pessoas, geralmente manés, com grande possibilidade de serem duros, pobres e congêneres, que não tem nada mais o que fazer da vida a não ser se reunirem em torno de algo proporcionado pelo Estado, pago com o suado dinheiro de contribuintes, digo, manés e geralmente regado a algum show de dupla sertaneja ou pagode do tipo “Us Kra samba”.

Você, meu caro Mané, duro como é de se esperar, resolve ter a brilhante idéia de se dirigir à “festa do povão”, afinal você pode até descolar uma gatinha na confusão, correto!? ERRADO MANÉ!!! Tais festas são também denominados “Navios Piratas”, pois você só encontrará canhões. Mas você como guerreiro e esperançoso que é, resolve tomar aquele banho, colocar sua roupinha, estilo Pai-de-Santo-de-ser, e cair na farra.

O primeiro erro que cometeu, além de resolver sair de casa para ir à “festa do povão”, foi colocar uma cueca preta e por sobre ela uma calça branca, uma camisa igualmente branca, aquele correntão de ouro (mais parecendo um bicheiro da Praça Sete ou um “Pai de Santo” do bairro da Serra), sapatênis marron, meia marron (furada no dedão direito), se encharca de Avanço e Colônia “L’acqua di Fiori”.

Antes de sair você vasculha o maleiro de seu guarda-roupa, pega a geladeirinha de isopor (fétida de mofo) a forra de geloso, coloca uma garrafa de uísque “old eight”, umas quatro ou cinco latas de guaraná Kuat, doze latinhas de nova Itaipava (lembremos que ele é despojado = pobre) e não nos esqueçamos da cidra Cereser.

Serelepe e fagueiro nosso caro Mané, chama um taxi, ou melhor, tenta chamar, acontece que já são quase dez e meia da noite e taxi a esta hora, nesta época do ano é como tentar achar um urso polar, à noite, no meio de Falujah (cidade do Iraque famosa pelos combates entre revoltosos iraquianos e americanos sem o que fazer da vida), ou seja, IMPOSSÍVEL.

Neste momento ele comete o segundo erro, resolve ir de carro. Não satisfeito em ir a uma festa popular (leia-se festa do povão) o infeliz resolve levar bebidas e dirigir. Só existe uma palavra para definir esta atitude: MANÉ!!!

Então, feliz e saltitante, ele pega o carro (Monza preto 92/93, com um par de dados, um rosa e outro roxo, pendurados no retrovisor interno) e sai em direção à “festa do povão” só que já são quase onze horas da noite e a única celebração de ano novo que você irá ver é da janela do seu carro, pois todas as vias que levam à festa estão todas tomadas por seus pares, ou seja, manés que tiveram a mesmíssima brilhante idéia.

Então, preso no congestionamento monstro, ele liga seu som e sintoniza uma rádio (geralmente daquelas que só tocam pagode e sertanejo) para contar junto com o locutor os últimos segundos do ano e já mete a mão no isopor e saca uma Itaipava, logo depois outra, e outra, e outra... Após cinco ou seis Itaipavas, ele abre a Cereser, meio desajeitado, a rolha acaba batendo no vidro e voltando no olho do sujeito, a espuma da cidra se espalha pela poltrona do carro. Em suma, é aquela lambrequeira.

Finalmente, após um congestionamento brutal (estilo de marginal Tietê, numa sexta-feira, às 17:30, véspera de feriado prolongado) ele consegue achar um lugar para estacionar e descer com seu isoporsão para a festa que já está rolando.

Chegando lá ele se depara não só com seus congêneres, mas também com o maior terreiro de Ubanda a céu aberto da história, algo merecedor de estar no livro dos récordes. É tanto pai de santo, é tanto devoto de Iemanjá, é tanta gente colocando vela acesa, oferecendo farofa e cachaça para os santos e Orixás que antes de conseguir arrumar algum lugar para se sentar ele já chutou três oferendas, quatro litros de cachaça, cinco velas (detalhe que queimou completamente a barra da calça branca) e duas tigelas de farofa com galinha, ou seja, você, caro coleguinha, está condenado à danação eterna.

Após tomar quase todo conteúdo alcoólico trazido consigo, mas não contente, ele se embriaga com o litro de old-eight, mais conhecido como “odiei-te”.

Agora, sem saber ao certo se é um ser humano ou um flamingo de Miami, você se encontra cambaleando, tateando o meio-fio da tentando buscar aonde teria estacionado o possante.

Você já está tão pra lá de Marrakesh que chama todo mundo de amigão, chora com quem está chorando, abraça os demais transeuntes, cantam juntos as músicas do show que está rolando (sertanejo ou pagode). Você, caro manezinho do meu coração, não sabe se bebe, se vomita, se morre ou vira veado, dado o tanto de cachaça ingerida.

Trôpego, você comete o maior erro que um bêbado pode cometer: você tropeça e seu corpo vai de encontro ao corpo de uma policial do batalhão de choque da PM que está fazendo a “segurança” do evento.

Caro Mané, você agora vai apanhar, como nunca apanhou na sua vida. Afinal, trata-se de um servidor público, que a última coisa que ele queria na noite de Réveillon era estar pajeando um bando de gente bêbada.

Você, coleguinha, toma tanto chute, coronhada, cacetada que ao final já não se sabe se cai de bêbado ou de tonto com tanta pancada. “Gentilmente”, um grupo de PMS o pega pelo trapos que restam e o jogam num canto da rua.

Para finalizar sua noite maravilhosa, você acaba dormindo na rua ao lado de um oferenda e uma garrafa de cachaça (quem nem é sua) e é fotografado por um jornalista do SUPER. Foto esta que sairá na capa do jornal com o seguinte chamado: ANO NOVO TERMINA NA SARJETA!!!!

E viva o ano novo!!!!

Um comentário:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...
    A.D.O.R.E.I!!
    Já estava com saudades de dá boas risadas por aqui!!
    Parabéns "TION", vc manda muito bem!!
    Bjus!

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